Rosemeire Nicolau

Psicóloga/ Sexóloga/ Neuropsicóloga

 

Muitas crianças podem apresentar dificuldade no controle das emoções e comportamento  sem caracterizar nenhum transtorno.  Segundo o DSMV  “ é   extremamente importante que a frequência, a persistência, a perversidade nas situações e o prejuízo associado aos comportamentos indicativos do diagnóstico sejam considerados em relação ao que é normal para a idade, o gênero e a cultura da pessoa antes de se determinar se são sintomáticos de um transtorno”

 

Os Transtornos disruptivos, são aqueles que envolvem problemas de autocontrole de emoções e de comportamentos, segundo o DSM V “no sentido de que esses problemas se manifestam em comportamentos que violam os direitos dos outros (p. ex., agressão, destruição de propriedade) e/ou colocam o indivíduo em conflito significativo com normas sociais ou figuras de autoridade.”

 

Crianças com transtorno do espectro autista frequentemente apresentam explosões de raiva quando, por exemplo, sua rotina é perturbada. Nesse caso, as explosões de raiva seriam consideradas secundárias ao transtorno do espectro autista e a criança não deveria receber o diagnóstico de transtorno disruptivo.

 

Alguns transtornos disruptivos: Transtorno opositor/desafiador (TOD); Transtorno disruptivo da desregulação do humor, Transtorno explosivo intermitente ,Transtorno de conduta.

 

Embora em todos eles a criança/adolescente mostre baixa tolerância a frustração, com explosões de raiva quando contrariados, algumas diferenças podem ser observadas segundo o DSM V:

 

Transtorno opositor desafiador (TOD): Colocam o indivíduo em conflito com adultos e outras figuras de autoridade. Desobedecem, desafiam, mas não incluem agressão dirigida a pessoas ou animais, destruição de propriedade.

 

Transtorno da conduta: Colocam o indivíduo em conflito com adultos e outras figuras de autoridade como o TOD, todavia incluindo agressão a pessoas ou animais, destruição de propriedade ou um padrão de roubo ou de falsidade. Não é característico desregulação emocional (humor raivoso e irritável).

 

Transtorno explosivo intermitente: Criança com sintomas sugestivos de transtorno explosivo intermitente apresentam momentos de explosões de raiva graves, mas o humor habitual é bem humorado, e quando contrariado explode com aparecimento de agressividade oral e até mesmo física.

 

Transtorno disruptivo da desregulação do humor: A gravidade, a frequência e a cronicidade das explosões de raiva são graves e incluem agressões verbais/físicas. O sintoma de humor negativo é crônico, ou seja, o humor habitual é irritado e raivoso  na maior parte do dia, quase todos os dias, entre explosões de agressividade impulsivas. O transtorno disruptivo da desregulação do humor está também entre os transtornos depressivos no DSM-5

 

Se você é responsável por um criança / adolescente com sinais de comportamento disruptivo, procure ajuda de um especialista nesta área.

DEPRESSÃO

 Álvaro Nicolau
Psicólogo/ Neuropsicólogo/ Psicopedagogo

É sabido pelos estudos pertinentes, que a depressão afeta 10% da população mundial. Caracteriza-se por sentimentos constantes de tristeza profunda, apatia, perda de interesse em atividades prazerosas, tudo por um período de tempo (registros em estudos apontam que por um mínimo de duas semanas).

 

Ouve-se, às vezes, “isso é frescura. Ah! Comigo não!Vamos tomar uma que passa.Vou te levar num lugar ali que você vai voltar outra pessoa”. Ocorre , pelas manifestações informações que a depressão em muitos sentidos é vulgarizada. Passa a não ser olhada instrumentalmente como deveria ser. Vão dando sentidos diferentes à sua ocorrência. Pensa-se no fazer-fazer. Perde-se na indiferença. Até porque “a coisa” ganha proporções assombrosas em relação ao ser-no-mundo, pois os valores se invertem, e o sentimento, a emoção, ganham pejorativos no cotidiano.

 

Na verdade, seja clinicamente, seja pelas ocorrências cotidianas, não se deve brincar com a depressão, pois é uma doença séria, exige tratamento e afeta consideravelmente a vida social e profissional das pessoas, além de prejudicar as relações e capacidade no desenvolvimento de tarefas mais simples.

 

De certo que a depressão também poderá ser a referencia para potencializar outros problemas de saúde da pessoa, além de ser referência para desencadear e/ou agravar outras questões não menos importantes que passam pela saúde física.

 

Nesse contexto registramos problemas no sono como uma das referencias diretamente ligadas à depressão – seja por conta do excesso ou falta- com prejuízos na manutenção das atividades da vida diária.

 

Quando se fala nos seus sintomas, podemos mencionar diversos deles que podem estar presentes: apatia; perda de interesse por atividades prazerosas; problemas com a concentração e memória; vive-se uma sensação de falta de energia;  baixa autoestima;  há certo sentimento de culpa; perda ou diminuição da libido; irritabilidade e ansiedade; pensamento de morte; pensamento suicida (pode passar, ou não ao ato); alterações no sono, com insônia ou sonolência excessiva; aumento ou diminuição do apetite.

 

Num sentido mais amplo, precisamos associar que há algum problema quando pelo menos dois desses sintomas, ou mais, estão presentes por mais de duas semanas. Aí devo sinalizar e abrir um alerta.

 

É adequado frisarmos que a tristeza da depressão é diferente da tristeza do luto, por exemplo. Além do mais, depressão é diferente de tristeza. Isso porque em determinados casos muitas pessoas consideram como depressão ou que a pessoa está depressiva ligando a estados emocionais passageiros de tristeza.

 

Podemos pensar a tristeza como um sentimento natural pelo qual sentimos, por exemplo, nossas perdas, ou sofrimentos e ressignificamos memórias, para superar algum episódio mais específico. Indica que a tristeza exige uma causa como a morte de um ente querido, ou mesmo a perda de um emprego, o término de um relacionamento, dentre outros. Assim uma causa é evidente para a tristeza havendo um processo de luto misturando-se boas lembranças às tristezas como uma onda de sentimentos que se movimenta num vai e vem, que vem e vai, perdurando por certo tempo.

 

A tristeza é um sentimento mais duradouro por conta da felicidade (algo que nos deixa feliz) e nossa volta ao estado natural, e tristeza, como um movimento que nos requer mais tempo para superar. Portanto, a tristeza é um sentimento mais passageiro com sua duração em dias e não semanas, do contrário deve-se acender alerta, onde a apatia, desesperança, indiferença e desgosto podem surgir e permanecer de modo a indicar uma depressão.

 

CAUSAS

 

Embora sejam diferentes, conforme destacado, a depressão pode ser ocasionada pela tristeza, quando não superada. Nesse sentido de identificar o que é significativo, é importante voltar o olhar para si mesmo com a atenção necessária e procurar ajuda especialmente quando algo parecer sair do controle.  Certamente que as informações são importantes para compor uma anamnese. Assim, a predisposição genética, alterações nos processos químicos cerebrais e fatores socioambientais são significativos, e podem contribuir para o desenvolvimento da depressão.

 

Devemos monitorar a insônia, pois poderá gerar uma depressão. Registros mostram que os fatores genéticos podem aumentar em até 70% para o desenvolvimento da depressão – mãe, pai com depressão a chance de desenvolver depressão aumenta. Registramos também a situação de estresse emocional prolongado ou de grande intensidade, são agentes estressores, que envolvem insatisfação no trabalho, rompimento de casamento de muitos anos, morte de alguém, traumas físicos ou psicológicos, problemas do peso e até mesmo o uso abusivo, mais desenfreado de redes sociais (nomofobia) podem ser questões para sua instalação. Podemos acrescentar que o estilo de vida da pessoa é um fator importante que pode levá-la ao processo depressivo, pois aumenta os riscos. Nesse campo mencionamos o sedentarismo, aumento do uso de açúcar, consumo de substâncias tóxicas ao organismo, álcool, drogas e até mesmo alguns medicamentos.

 

Mas não existe somente um fator determinante  para indicarmos a depressão. Sim um somatório de fatores que vão minimizar a capacidade do cérebro de reagir a determinados eventos facilitando a ocorrência de sintomas mais prolongados e, na sequência, a depressão.

 

 DIAGNÓSTICO

 

O diagnóstico é médico, que, certamente, buscará conhecer o paciente, numa entrevista, sobre sua vida e os acontecimentos que compõem sua historia. O médico com base nos relatos poderá sugerir a realização de exames complementares dentre eles a avaliação neuropsicológica especialmente quando aspectos cognitivos estão envolvidos. Após, é indicado o melhor tratamento, que dependerá da intensidade da depressão (leve, médio, grave). São dois grandes aliados do tratamento, os antidepressivos e a psicoterapia.

 

As características da doença, sua intensidade, o conjunto das informações médicas, serão ponto determinante do tratamento, e a melhor forma de tratamento vai ser determinado, normalmente, pelo médico.

 

Aqui, com o uso medicamentoso existem tabus que precisam ser quebrados porque levam pacientes a resistirem ao seu uso. Um antidepressivo, ao contrário do que pessoas pensam, não é receitado com objetivo de manter o paciente dependente dos remédios. Ao contrario. Os medicamentos auxiliam numa recuperação mais acelerada com o sentido de que num determinado período consiga, por si só, retomar, ou levar uma vida mais saudável e sem uso de medicamentos.

 

O processo terapêutico pode ajudar o paciente,  e uma das formas  é o pensamento e a atitude prática no dia-a-dia da pessoa,  é a existência da pessoa fluindo no sentido mais funcional no seu sentido-de-ser-no-mundo.

 

Então, a união da atenção médica com a intervenção psicoterápica, é fonte principal para a recuperação da pessoa. As intervenções não seguem padrão eterno e um objetivo é estabelecido com a superação do quadro depressivo.

 

Para os pacientes depressivos é importante a recomendação de que deve seguir as recomendações médicas e dos psicoterapeutas para a mudança do estilo de vida.

Imagem de casal do desenho: UP – ALTAS AVENTURAS
Rosemeire Nicolau
Psicóloga/ Sexóloga/ Neuropsicóloga

 

Cada fase da vida tem seus encantamentos, suas prioridades.

E a sexualidade está presente em todas elas.

 

Envelhecer faz parte da natureza humana, mas é um grande desafio para todos. Não só a nossa genética nos impõe limitações na velhice, mas também as escolhas que fazemos  quando adultos em relação a  hábitos alimentares, vícios, atividade física… Desta forma, ao envelhecer, a saúde passa a ser prioridade.

 

Com uma boa saúde, o idoso pode ter uma vida sexual ativa. Cada relacionamento tem um padrão de comportamento  sexual de acordo com suas possibilidades, maturidade, funcionalidade e interesse.

 

Com o envelhecimento podem surgir doenças e uso de medicamentos que muitas vezes diminuem a libido limitando a atividade sexual. Pode também acontecer do sexo não ter mais a mesma importância para o casal, e o contato sexual vai ficando cada vez mais espaçado.

 

A forma como o idoso vai vivenciar sua vida sexual depende de suas possibilidades, da cumplicidade e respeito com o parceiro. Mas a forma como ele vai escolher viver, depende de seu pensamento.

 

Para que pensar no que perdeu se pode pensar no que construiu? Porque sofrer querendo o que não pode ter, ao invés de tentar ser feliz com o que está ao seu alcance? Por que entristecer com o que não tem, se tem o mais importante, que é a vida?

 

É importante envelhecer desfrutando de sua sexualidade. Mas entenda sexualidade não apenas como reprodução e busca de prazer sexual, como também a nossa necessidade de amor, carinho, compartilhamento e bem estar pessoal. A sexualidade inclui o conhecer-se, o aceitar-se.  A forma de se relacionar, inclui satisfação, afeto, e também de como lidar com a solidão, com as perdas, e com a dor. Inclui a satisfação com a intimidade, implica nos cuidados, toques, ciúmes, rejeição, autoestima e felicidade. O idoso pode amar e ter prazer em dar, receber carinho com os familiares e amigos.

 

Para vencer o grande desafio da velhice o segredo é não sobreviver, mas VIVER.

 


 

 

Camila Nicolau

Afinal o que é neurociências?

Neurociências é o estudo do Sistema Nervoso Central (SNC) associado a outras áreas do conhecimento (educação, comunicação, humanas, saúde, biologia, etc). Por isso, é chamada de área multidisciplinar.

Mas o que a tal de neurociências tem a ver com aprendizagem?

Tudo. Entender o SNC é compreender como a informação caminha pelo cérebro e, então, saber que funções estão sendo ativadas e quais ainda precisam ser melhoradas. O entendimento da neurociências facilita a compreensão do que desenvolver em cada época para facilitar a aquisição de conhecimentos mais complexos no futuro.

Por exemplo, sabe-se que o desenvolvimento sensório motor é primordial para todo o controle dos sentidos. Tendo domínio motor sobre braços, pernas, boca, olhos, entre outros, é possível permitir que outras habilidades se priorizem. Fica mais fácil entender quando se coloca na prática.

Quando na clínica nos deparamos com diversos casos de dificuldade de leitura, percebemos um padrão de dificuldade de controle inibitório no momento da atividade. Como essa dificuldade se manifesta? Mexe muito pernas e braços. Levanta constantemente e anda de um lado para o outro no momento da leitura. A pergunta que se faz é: como ocorreu essa estimulação sensorial na primeira infância? A criança foi ensinada a ter controle motor sobre o corpo? Entendeu que determinadas atividades exigem certo tipo de comportamento para as pernas e braços? E os olhos, foram treinados a se moverem?

Entendo que não se pode generalizar, cada caso é um caso. No entanto, casos de disfuncionalidade executiva gerariam tal comportamento, por se tratar o controle inibitório uma função executiva. Cabe aqui uma reflexão sobre o que estamos ensinando a nossas crianças que vivem em um mundo com tanto estímulo eletrônico e tantas coisas prontas que desaprenderam a fazer e esperar pelo resultado.

Quanto tempo seu filho passa em frente ao celular? Videogame? Televisão? Ele foi ensinado a passar um tempo com livros? Jogos de tabuleiro? Sentar e conversar?

Que valor de vida está sendo passado às crianças? Que sentido de mundo estamos destinando a essa geração fast food, microondas, delivery?

A neurociências no processo educacional pode ajudar a transformar a aprendizagem. Permitir uma transformação na forma de ensinar e aprender. Valorizar as habilidades necessárias para cada fase. Valorizar o engatinhar, rolar, socializar, lateralidade, correr, pular e deixar que a leitura e escrita se desenvolvam na época que precisa ser desenvolvida.